CRUSP68 — MEMÓRIAS, SONHOS E REFLEXÕES

novembro 19, 2008 by

CRUSP VISTA GERAL, 1968

CRUSP VISTA GERAL, 1968



Caros Amigos Cruspianos,

Este é um blog da comunidade de Cruspianos, moradores do CRUSP, Conjunto Residencial da USP, dos anos 60. O seu único propósito é propiciar um espaço para os moradores do CRUSP de 1963 a 1968 compartilhar suas “memórias, sonhos e reflexões” (título emprestado da autobiografia de Carl G. Jung).

Mandem seus artigos, escrevam seus comentários aos artigos e posts aqui publicados…


Faz parte das comemorações de 40 Anos do fechamento do CRUSP. Foi na madrugada de 17/12/2008 que as tropas do exército cercaram o CRUSP, prenderam  1400 estudantes, fecharam o Conjunto Residencial da USP, instauraram um IPM – Inquérito Policial Militar, que resultou em processo e ordem de prisão para 32 residentes.


No site www.crusp68.org.br podem encontradas mais informações sobre o Encontro, bem como a relação dos Cruspianos contatados, dos que já confirmaram sua presença, dos falecidos e dos que ainda estão sendo procurados (no bom sentido!).

No fotolog www.fotolog.terra.com.br/crusp68 podem ser vistas e comentadas fotos de época tiradas das coleções de muitos Cruspianos.


Através do e-grupo crusp68@yahoogrupos.com.br os cruspianos podem conversar, atualizar o papo interrompido por quatro décadas…


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Bebida

fevereiro 4, 2009 by

Não me lembro que existisse algum bebum habitual no CRUSP.
Tomávamos alguns fogos homéricos, como o que tomei com o Lauri,
e outros no desertinho, que é onde faziamos nossas festas.
Vinho de garrafão era o que havia e de vez em quando um bom vinho
da festa de São Roque. O Beto não me perdoa até hoje por ter
pegado “emprestado” no meio da noite, – a meu pedido – uma garrafa
do vizinho de quarto (Miguel Kishimoto) .
MIGUEL, SE ESTIVER LENDO, ME PERDOA, FUI EU .
MAS VALEU ! COMO VALEU !
Em todas as festas de centrinhos tinha cerveja e vodka para vender.
Festas estas animadíssimas, as quais não perdia nenhuma.
Figurinha fácil era a Terezinha do Piauí (irmã da Luzia da biologia),
eu e a Heloisa que fazia Historia.
As melhores eram na FAU, que já tinha naquela época,
um pessoal muito doido. A decoração era de primeira, as músicas
bem agitadas e o figurino do povo bem arrojado.
Não sei se era a vodka, mas chegar no predio da FAU era um
acontecimento, quase um êxtase.
Sabíamos que iríamos dançar até cair ou até
o sol raiar. Aliás, ficávamos sempre até acabar as festas por não
ter como voltar ao CRUSP.
Voltávamos sempre com o dia amanhecido e em segurança,
dentro do primeiro circular que passasse.
Eramos arteiras… mas boas meninas…
Acho que estávamos as tres, procurando marido por curso, por isso
é que íamos em todas… e tomávamos todas.
A única experiência que perdi foi a de ir na CHACRINHA
DA CASA DO POLITÉCNICO. Já tinha encontrado o
“meu politécnico”, e a Heloisa foi Sózinha. Coitada ! quase foi estuprada.
Fizeram um cerco em volta e todos queriam passar a mão na bunda dela.
Ela cobria o rosto, chorava e dizia que era moça de família e que estava lá por engano.
Os desalmados não a ouviam, até que apareceu um politécnico com alma para salvá-la.
Nunca mais a vi, mas garanto que não é casada com nenhum engenheiro,
Dependendo da hora, melhor cair na mão de um ARQUITETO
do que na de um POLITECO.

Celia Bergamasco

A Pichação

dezembro 22, 2008 by

Estou a relatar agora, um fato que saiu das minhas “Memórias, Sonhos e Reflexões”.Que seja tão interessante para os que lêem, quanto o foi emocionante e assustador para nós que o vivenciamos.
Naquele tempo da ditadura, estávamos uma madrugada…
meu primo Antonio Carlos e eu a fazer nossas pichações costumeiras no Butantã.
Mas não sei por que cargas d´água, nessa noite,  embuídos de maior coragem,  nos aventuramos a ir até o Bairro de Pinheiros.
Deveríamos ter ficado no Butantã !
Pois tão logo começamos a chacoalhar o spray para começar o…

“ABAIXO A DITADURA”

foi chegando um carro, daqueles cheio de milicos armados, com as metralhadoras para fora, prontos a atirar.
Nosso susto foi tão grande, que nos abraçamos para morrer.
– Acho que queríamos morrer em família –.
Mas nosso instinto de sobrevivência falou mais alto, tão alto que, instintivamente, começamos a simular um “malho”.
Tremíamos e nos apertávamos tanto – mais por medo que por simulação –
que quase nos prenderam por atentado ao pudor.
Passei por vagabunda… que é o que eles disseram que eu era;
mas naquela hora… mil vezes vagabunda, do que estudante e moradora do CRUSP.
Quase cometemos um incesto (primo/prima) mas  nos livramos do “cacete da ditadura”.