CRUSP68 — MEMÓRIAS, SONHOS E REFLEXÕES

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CRUSP VISTA GERAL, 1968

CRUSP VISTA GERAL, 1968



Caros Amigos Cruspianos,

Este é um blog da comunidade de Cruspianos, moradores do CRUSP, Conjunto Residencial da USP, dos anos 60. O seu único propósito é propiciar um espaço para os moradores do CRUSP de 1963 a 1968 compartilhar suas “memórias, sonhos e reflexões” (título emprestado da autobiografia de Carl G. Jung).

Mandem seus artigos, escrevam seus comentários aos artigos e posts aqui publicados…


Faz parte das comemorações de 40 Anos do fechamento do CRUSP. Foi na madrugada de 17/12/2008 que as tropas do exército cercaram o CRUSP, prenderam  1400 estudantes, fecharam o Conjunto Residencial da USP, instauraram um IPM – Inquérito Policial Militar, que resultou em processo e ordem de prisão para 32 residentes.


No site www.crusp68.org.br podem encontradas mais informações sobre o Encontro, bem como a relação dos Cruspianos contatados, dos que já confirmaram sua presença, dos falecidos e dos que ainda estão sendo procurados (no bom sentido!).

No fotolog www.fotolog.terra.com.br/crusp68 podem ser vistas e comentadas fotos de época tiradas das coleções de muitos Cruspianos.


Através do e-grupo crusp68@yahoogrupos.com.br os cruspianos podem conversar, atualizar o papo interrompido por quatro décadas…


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25 Respostas to “CRUSP68 — MEMÓRIAS, SONHOS E REFLEXÕES”

  1. Soninha Says:

    Escrevam alguma coisa. Tanta gente conhecida e nenhuma mensagem.
    Scaico!, Watanabe! Teco! Onde estão vcs?
    Entrei hoje aqui esperando encontrar uma mensagem de qualquer um de
    vocês. O importante não é só entrar ao grupo. É participar.
    Com carinho
    da ex-cruspiana orgulhosa de ser-lo
    Soninha

  2. Célia Says:

    Atendendo ao pedido da Soninha…
    Lembra-se que uma vez viajamos juntas(de carona, é obvio) para o Rio
    e acabamos no CEU? Ring a bell?
    Me lembro que chegamos nos Arcos da Lapa,procurando
    a pousada estudantil,que já estava fechada nas alturas da madrugada.
    Achamos o CEU (casa do estudante universitário)e imploramos para
    passar a noite lá. Era uma casa só de meninos,por isso não queriam nos
    aceitar para dormir lá (estranho, não?). Por sorte tinha uns caras da
    medicina que estavam dando plantão e nos deixaram dormir no quarto
    deles. Lembra que coisa horrorosa eram aquelas camas? Até hoje nunca
    vi um Lençol tão sujo e nem tantas pulgas numa cama só.
    Nos comeram a noite toda (AS PULGAS).

  3. Watanabe Says:

    Grande Soninha.

    A vida é uma sucessão de fatos e eventos.

    Milhares aconteceram. Tem até aquele da viagem de carona de avião ao Rio para ganhar uma japona da Marinha.

    Mas nossas mentes já não têm a habilidade de lembrar de muitos detalhes.

    Talvez a gente esteja querendo “economizar” agora para poder deseconomizar no dia 29. Haja assunto para preencher 10 horas de papos.

    Mas, já que você provocou, vai aqui o relato de um episódio marcante:

    Lembro-me que certa vez recebi o apelido de Watanabe: “O” Empírico e isso aconteceu por causa do Ciclo de Cinema da USP.

    Foi assim:

    Havia na USP, todo ano, o famigerado Ciclo de Cinema da USP que passava sempre os mesmos filmes: Os Sete Samurais, Guerra dos Botões, Morangos Silvestres e outros.

    Certa noite ao descer para jantar, vimos que haveria projeção de cinema. A gente sabia disso pois alguém se dava ao trabalho de colocar os bancos na disposição de cinema com a mesa de pingue-pongue ao centro para alojar o projetor de filmes. Os cartazes afixados nunca eram lidos.

    Depois da janta, sentamos para aguardar o momento do filme. Algumas poucas pessoas já estavam lá.

    Passado um tempo, mais pessoas chegaram. Notei que a mesa estava lá mas a máquina de projeção não.

    Fui até a Banca da Cultura saber por que o projetor não estava na mesa. Me informaram que o projetor e as latas dos filmes estavam na História e que alguém com carro deveria ir até lá para buscar.

    Saí pelo CRUSP para encontrar alguém com carro (a gente sabia quem tinha carro e era sempre os mesmos que a gente procurava). Encontrei e fomos até a História para pegar. Trouxemos e colocamos o Projetor e as 3 Latas em cima da mesa e sentamos.

    Passado algum tempo, o centro de vivência já estava bem cheio e nada de aparecer alguém para fazer a projeção.

    Curioso que sempre fui, aproximei-me da máquina de projeção e vi que na tampa havia um desenho explicando como o filme tinha que ser colocado. Não tive dúvidas: enfiei o filme conforme desenho e liguei a máquina. Milagre! o filme começou a ser projetado e alguém apagou a luz.

    Tudo corria bem, mas de repente PLACT! o filme arrebentou. Váias, assobios e luz acesa!

    Subi na pesa e enfiei o filme novamente e liguei. Milagre novamente: O filme começou a ser projetado e algém apagou a luz.

    Lembro que o filme voltou a rebentar outras vezes.

    Depois que terminou o filme e todos foram dormir, resovi rebobinar os filmes. Nessa hora notei que os filmes estavam em latas erradas. Havia nas latas a inscrição 1, 2 e 3 indicando a sequencia em que os filmes deveriam ser passados. Eu segui esta orientação das latas mas quem passou antes tinha colocado os rolos em ordem diferente.

    O filme era Os Morangos Silvestres de Ingmar Bergman. Um filme de cuca.

    No dia seguinte, ouvi muitos comentários do tipo “Filme de Bergman é difícl de entender” mas eles não sabiam que os rolos tinham sido invertidos.

    Por este episódio fiquei conhecido como O Empírico.

    Abraços,

    Roberto Massaru Watanabe

  4. Nelson Dum Dum Says:

    Oi, Soninha!!

    O Watanabe lembrou um fato real…eu fui um dos que não entenderam nada do filme do Ingmar Bergman (Morangos Silvestres) pelo fato de ser exibido com os rolos invertidos!
    Mas não posso deixar de lembrar do SHOW CRUSP, bem melhor que muitos programas da televisão (até hoje!).
    O sucesso era grande. Lembro-me de quando fomos apresentá-lo em São José dos Campos, para o pessoal do ITA (nossos “concorrentes”).
    E foi um aplauso só!
    Sem dúvida, marcou uma época.
    Um abraço carinhoso
    Nelson Toledo
    (Nelson Dum Dum)

  5. Rubens Says:

    Sonia,
    Você deve se lembrar de mim. Conversávamos muito lá na história e geografia. Eu fazia Orientais (russo). Depois, por motivos já conhecidos, não tivemos mais contato. Pensei que você estivesse no Paraguai.
    Rubens

  6. Soninha Says:

    Oi amigos!
    Que bom que escreveram!
    Célia, eu já não lembrava desse episódio do Rio. Estava escondido em
    minhas memórias. Relembrei tudo.
    Que loucas, não….
    Não só ir de carona à noite, senão chegar de madrugada e ir pedir
    abrigo em um lugar desconhecido. E nada mais nada menos que na Lapa.
    Como o encontramos? Perguntando. Naquela época chegaríamos também à
    Roma se dependesse de nossa predisposição de conseguir coisas.
    Lembro-me da sujeira do lugar, lembro-me das pulgas e de tudo. Que bom
    lembrar… Obrigada.
    Eu sempre trabalhei, mas era uma questão de honra viajar sem gastar
    nada, ou gastando o mínimo.
    Eu viajava de lá para cá de avião, qualquer tipo, da Fab, de empresas
    particulares. Chegava ao aeroporto e perguntava. Prá onde tem vôo?
    Me lembro que uma vez me responderam. Agora só tem de um banco para
    Fortaleza…. e minha resposta. É justamente prá lá que quero ir. E fui.
    Mas, lembro-me também que nos comportávamos com toda correção, educação
    e sempre agradecendo o que quer que nos brindassem: já seja uma viagem
    de avião, um bife com ovos ou um simples cafezinho.
    E não criávamos nenhum tipo de problemas àqueles que nos ajudavam.
    Essas eram normas que seguíamos, não aceitando que fossem
    desrespeitadas.
    Bons tempos

  7. Soninha Says:

    Watanabe:
    Com certeza não entendemos nada do filme, já que os rolos estavam
    invertidos, mas será que todos admitimos….. Éramos tão
    intelectuais….. e como o Bergman era complexo mesmo, alguma
    interpretação devemos ter encontrado. E podemos até ter debatido sobre
    as diferentes maneiras de entender….
    Ah, beijos Watanabe, vc era curioso mesmo, curioso e simpático.
    Soninha

  8. Soninha Says:

    Rubens
    Eu lembro de você, sim e lembro de nossas prosas. Eu também fazia
    português e uma lingua oriental, que no meu caso era árabe. Como meu
    pai era comerciante em Campinas, eu fazia parte de uma grande
    comunidade síria, com hábitos, comidas, etc. Daí o fato de escolher
    árabe.
    Mas na realidade fiz isso para poder morar no Crusp e fazer o
    cursinho para a faculdade de direito do Largo de São Francisco.
    Entretanto, como tinha Letras e português, acabei gostando muito de
    Literatura, Linguística, etc. Gostei também muito da Maria Antonia e
    do seu ambiente e acabei esquecendo do árabe e dedicando-me mais ao
    português, matéria que fui professora em diferentes lugares, durante
    os 4 anos que morei no Crusp. Sempre trabalhei.
    Apesar de que tudo o referente ao português me apaixonava, minha
    atenção esteve desde o principio desviada para todos os
    acontecimentos fascinantes que ocorriam naquela época.,
    Entrar na Faculdade de Direito São Francisco era meu objetivo inicial
    e eu tinha sido, até então, uma pessoa dedicada e estudiosa. Até
    aí….
    Mas, nesse momento fervente, como eu poderia me concentrar nos
    estudos com tanta coisa interessante ocorrendo lá fora
    Fui totalmente seduzida pela vida do Crusp e pela agitação.
    Moro no Paraguai sim, até hoje.
    Aqui tive a tranquilidade de estudar psicologia e fiz também
    mestrado e doutorado, além de ter feito também 5 filhos.
    Aí no Crusp fiz outro tipo de Universidade, mais semelhante à da
    vida…..
    Beijos a todos
    Soninha

  9. Watanabe Says:

    Pessoal

    A Fulvia está montando um Álbum de Fotos.

    Colabore com ela enviando fotos, cartazes, revistas, etc. para o email dela fulvia.molina@terra.com.br

    Vejam as fotos que já estão no Álbum. São mais de 200 http://fotolog.terra.com.br/crusp68:1

    Abraços,
    Roberto Massaru Watanabe

  10. Soninha Says:

    Oi Álvaro
    Que bom que vc apareceu. Que linda foto! Vcs eram bonitões mesmo….
    Há pouco estive rindo vendo algumas das fotos do album da Fúlvia. Como são muitas, ainda não pude ver todas, mas ri de ver tanta gente magrinha, alguns quase esquálidos… Será que éramos assim mesmo? Isso não estava na minha memória…
    Àlvaro, o Show Crusp era muito bom mesmo. Na época eu pensava que só a nós, cruspianos, ele parecia tão bom. Com o tempo percebi que os números eram bem elaborados e dentro daquela euforia carinhosa que nos unia, existia a capacidade de produzir eventos de muito boa qualidade, tanto em matéria de show como de teatro.
    Lembro-me bem de vcs no Show. Vcs eram ótimos e muito divertidos. O Malaman, além de ter boa voz sabia cantar música caipira,,,, hoje sertaneja. Todos da foto são amigos queridos que fazem parte de minhas lembranças.
    Saudades e beijos
    Soninha

  11. Maristela Says:

    Alguém sabe por onde andam Maria Isabel e Maria do Céu, duas paraenses da Biologia (ou Bioquímica) que moraram comigo na invasão do Bloco G e depois no Bloco D? E a Bia Marão, de Tanabi?

    Abraços,
    Maristela Bernardo (da ECA, presidente do centro acadêmico em 68)

  12. Rubens Says:

    Que bom, Soninha. Eu terminei Russo, fiz traduções, fiz mestrado e doutorado (na área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa), hoje sou professor de Literaturas de Lingua Portuguesa (Portuguesa e Africanas) na Unesp. Também fiz Direito na São Francisco, logo após a “abertura”. Como você deve estar lembrada, passsei por uns maus momentos na época. Mas o que importa hoje é que estamos vivos para lembrar aqueles tempos e também lembrar de nossos companheiros que se foram muito cedo. Fico feliz por saber que você está bem e com tantas produções. Eu tenho três filhos (homens) e uma netinha de sete anos.
    Beijos,
    Rubens

  13. Rubens Says:

    Que bom, Soninha. Eu terminei Russo, fiz traduções, fiz mestrado e doutorado (na área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa), hoje sou professor de Literaturas de Lingua Portuguesa (Portuguesa e Africanas) na Unesp. Também fiz Direito na São Francisco, logo após a “abertura”. Como você deve estar lembrada, passsei por uns maus momentos na época. Mas o que importa hoje é que estamos vivos para lembrar aqueles tempos e também lembrar de nossos companheiros que se foram muito cedo. Fico feliz por saber que você está bem e com tantas produções. Eu tenho três filhos (homens) e uma netinha de sete anos.
    Beijos,
    Rubens

  14. Watanabe Says:

    Por falar em Show Crusp, vejam a foto da chegada em Itajubá (em http://www.fotolog.com.br/crusp68).

    Eu acho que em Itajubá não tinha japoneses e eu era novidade. As pessos apontavam para mim na rua.

    Abraços,
    Roberto Massaru Watanabe

  15. Sonia Castanheira Says:

    Eu já mandei um comentário para inaugurar o blog. Não saiu. Deve estar sendo submetido à censura……
    Será????? Como será censura de cruspiano. Eu não imagino….
    Vcs lembram da peça Roda Viva?
    Pois bem, eu fui com a Formiga e a irmã no dia seguinte do problema do CCC, acho que para dar apoio aos artistas. A Marilia Pera e o próprio Chico Buarque contaram o que aconteceu no dia anterior. Não me lembro muito bem, nesta altura da vida, como foi mesmo, na verdade não me lembro de nenhum detalhe. mas lembro-me de que foi uma coisa terrível.
    E lembro-me também que estivemos aí para dar apoio. Éramos tão solidários e tão anticensuras que sempre estávamos do lado daqueles que eram perseguidos ou discriminados.
    ONDE ESTÁ O QUE EU ESCREVI NESTE BLOG??
    Brincadeirinha ! Deve ter se perdido neste imenso mundo virtual.

  16. Celia Says:

    Boa Molina. Gostei mais dessa idéia do blog.
    Você não tem que necessariamente responder a alguém, é só vir aqui e postar alguma coisa.

    Soninha, não espere resposta, vai escrevendo que adoramos ler tudo que vc escreve. Beijos a todos

  17. Celia Says:

    Meu comentário está esperando moderação.
    Então existe censura mesmo?

  18. Soninha Says:

    VAMOS INAUGURAR O BLOG?
    Sou Sonia Castanheira, mais conhecida como Soninha, carinhosamente e também graças a meu tamanho. Boa aluna em Campinas, tinha feito o antigo Curso Normal e o Curso Científico ao mesmo tempo. Se previa para mim um grande futuro como estudante e profissional. Era dedicada. Queria fazer direito, mas não uma faculdade qualquer, senão a de São Francisco, considerada a melhor. Deixei Campinas e para garantir um lugar para morar em São Paulo e já garantir um meio de trabalho, ´prestei vestibular em Português e uma Lingua Oriental, chamado Estudos Orientais, na época. Comecei a trabalhar e também a fazer o Cursinho de Direito…Foi então que entrei em contacto com o CRUSP, com seus maravilhosos habitantes e todo esse entorno vibrante que nos circundava. Tudo mudou em minha vida, adolescente ainda. Comecei a assistir assembléias, passeatas, teatros , shows e conviver nesse espaço tão grandioso que foi o CRUSP. Considero que nossa juventude não foi frustrada por t odas as perseguições que vivemos. Mas bem, penso que foi diferente.
    Que caminho teríamos tomado sem toda essa agitação? Teríamos sido, sem dúvida, estudantes normais, ou bons estudantes da USP, que perseguem seus objetivos. Nossa vida provavelmente teria sido diferente.
    Mas, esta vivência e essa oportunidade que tivemos de participar de um movimento histórico no Brasil ( o da ditadura) foi uma circunstância e uma oportunidade.
    Amadurecemos, sofremos, nos divertimos, amamos e tivemos uma vida diferente daquela que foi oferecida às gerações posteriores.
    Éramos sem dúvida ousados, sem dúvida idealistas e sem dúvida nenhuma lutadores. Tínhamos ideais e tínhamos a força da juventude para lutar por eles.
    Isso fez com que esses 1.400 moradores que foram presos no dia 17 de dezembro fossem tão unidos e tão intimamente ligados.
    E isso é o que nos faz vibrar com essa possibilidade de reencontro.
    Tudo valeu a pena, Eu os amei e os amo, meus queridos amigos ex-cruspianos.
    Mesmo depois desses 40 anos………..

  19. Celia Bergamasco Says:

    Bete da veterinária, Elizabeth Gomes de Souza… estou procurando essa louca querida desde o começo dessa empreitada cruspiana. Louca porque? Por tentar transformar uma anarquista nata em comunista. Morava (clandestina) com ela no 610 D e como pagamento pela acolhida, tinha que estudar toda noite, um jornal de um tal de Posadas(?) da Quarta Internacional. Eu lia aquilo tudo como se estivesse lendo em outra língua. Nada daquilo ficou na minha memória… O que realmente aprendi com ela, foi dividir minhas coisas burguesas, como sapatos, roupas e acessórios. A Beth foi uma ótima professora, me dava exemplos práticos; acabou com todos meus sapatos (pois pisava torto) e eu acabei com um “Bamba” turquesa comprado no Bazar 13.
    Vinda de um Colégio Interno(14 anos), o CRUSP foi tudo que eu precisava na vida, para crescer. Já sabia o que era viver em comunidade e já sabia fazer política; mas lá aprendi que existia política estudantil e que podia ler outras coisas em vez de ler livros de etiqueta. Na verdade, a unica coisa que li na época foi “a história da riqueza do homem” . Tinha tanta coisa que eu queria fazer.
    Naquele tempo,” o mundo era uma festa e eu podia tudo”.
    Podia viajar de carona, dormir na hora que quisesse (desde que estudasse o Posadas), ir ou não ir às aulas, passar o dia e a “noite” na piscina, gastar todo o dinheiro no bar e ter que repartir o bandejão com alguém no fim do mês…
    Podia também participar de todas as passeatas, jogar bolinhas de gude na cavalaria, estar na Maria Antonia quando um estudante foi morto, ajudar meu primo Carlos (centrinho da pedagogia) em pichações, comícios relâmpagos, panfletagem e a fazer Molotov.
    Pois bem, cresci um bocado lá, saí com uma bagagem intelectual e emocional muito maior do que quando cheguei.
    Saí também com um marido fantástico (quem disse que politeco é bitolado?) e que me aguenta até hoje, como uma anarquista que sou.
    Quero agradecer a todos vocês CRUSPIANOS, que direta ou indiretamente, contribuíram para que eu seja o que sou.
    Muita vida, muito amor e muito riso a todos vocês.

  20. Celia Bergamasco Says:

    Eu nunca conversei com o Lauri.
    Ele era muito “alto escalão” para a minha ignorância.
    Mas um dia,depois de fechado o CRUSP, nos encontramos no Largo de
    Pinheiros e ele me convidou para tomar uma cerveja.
    Tomamos a “uma” e mais todas.
    Foi aí então que afirmamos nossa amizade (como todo bebum).
    Andamos de lá até a Morato Coelho, acho eu, perto da Praça Benedito
    Calixtro;Cantando pelas ruas em altos brados e bebendo de boteco em
    boteco, na maior alegria. Talvez uma das ultimas alegrias dele, pois
    logo depois ele saiu de cena.
    Fomos parar de madrugada, no apartamento da Kikuko, fazendo a maior
    algazarra. A coitada ficou tão apavorada… e não quis nos deixar
    entrar. E eu de tão “turbinada” que estava, não lembro o final da
    estória…
    JURO! JURO MESMO.
    Só tenho essa lembrança dele, boa lembrança!!!
    No encontro vou beber “uma” por ele.
    Por favor Kikuko, apareça prá me ajudar nessa…
    Alguém conhece uma Kikuko?

  21. Celia Bergamasco Says:

    Medo, medo, medo…
    No momento não sei explicar nada…
    É tudo tão confuso lá dentro…
    Só sei sentir… E como sinto…
    Só com esse encontro virtual, são tantas as emoções, excitações, agitações e ansiedades aflorando…
    Sinto toda essa agitação psicológica, como se estivesse me aprontando para ir a uma passeata… só que agora…com muito medo.
    Onde se escondeu aquele ser idealista, para quem não existiam barreiras?
    Cadê aquele ser que podia tudo?
    Será que está fechado(no inconsciente) como o foi o CRUSP?
    Terá sido a experiência cruspiana um rito de passagem para todos nós?
    Estaremos de novo experienciando mais um rito de passagem?
    Para onde agora? para onde?
    Talvez seja esse o medo…
    Será nossa agonia psicológica (de agora), igual à dos que foram torturados ou mortos pela repressão?
    Fomos “usados ” pelo sistema para produzirmos…”usados” pela biologia para reproduzirmos…
    Mas em compensação à todo esse uso, fomos “abençoados” com a experiência cruspiana. Ao Universo, que hoje se regozija conosco, meus mais sinceros agradecimentos.
    Aonde nos levará tudo isso…?
    Não estaremos, como diziam os mais antigos que nós, “cutucando a onça com vara curta?”
    POBRE FREUD…
    Vamos nesse dia (29/11/2008) cozinhar a ele e à toda sua teoria, no nosso caldeirão de “MEMÓRIAS, SONHOS E REFLEXÕES…”

  22. Celia Bergamasco Says:

    Oi gente, estou saída do “porão” (como disse o Paulo Prandi).
    Nada como uma boa noite de sono, acordar e ter um insight de que
    nossa prisão no CRUSP, foi uma passagem para a vida adulta(fomos
    presos, literalmente,num casulo de adulto); e que esse reencontro é
    uma passagem para a nossa velhice.
    BEM VINDA, TERCEIRA IDADE!!! BENVINDA.
    É a nossa liberdade dessa sociedade que nos oprimiu a todos,
    durante a idade adulta. Agora “PODEMOS TUDO” de novo.
    VIVA A ANARQUIA!!! Abaixo a democracia!!!
    beijos e mais beijos a todos, agora é tudo só alegria!

  23. Celia Bergamasco Says:

    A grande ressaca

    Hoje a emoção é grande demais.
    Não consigo concatenar as idéias.
    É como se tivesse “fumado” uma “bombona”!
    Os pensamentos correm soltos, anos luz mais rápidos
    que minha agilidade motora.
    É como se estivesse assistindo a um filme do Passolini
    ou Almodovar, projetado pelo Watanabe.
    Sinto-me mais “pirada” (leia-se memória fantástica)que a Soninha.
    Lembranças vindo aos borbotões com o peso e a velocidade de meteoritos.
    Comecemos pelo “folder” que recebemos na entrada:
    Guardei-o na bolsa por achar que era um “schedule” das festividades
    ou o cardapio do evento.
    Só vim lê-lo em casa ao deitar.
    Li e comi a todos os depoimentos; saboreei a todos vocês que o deram,
    comi um de cada vez, degustei palavra por palavra. Dormi saciada!
    Agora posso concordar com o Nelson Dumdum(a quem infelizmente não vi)
    e com o Teco.
    Como somos bonitos! SOMOS TÃO LINDOS!!!
    Nunca pensei que fosse encontrar tanta gente idosa(quer queiram quer não, somos todos sessentões) tão bonita e com uma energia incrível.
    Será nossa beleza interior que se refletia em nossas aparências?
    Lembram do dito maldoso que corria na época?
    -Você quer ser bonita(o)ou cruspiana(o)?-
    Pois bem… escolhemos a segunda opção e acho que fomos bem inteligentes; afinal a vida para ser bem vivida só precisa de um pouco de inteligência,o resto vem por acréscimo.
    Minha amigona MALU, uma delícia! louca, louca como eu. Continuamos as mesmas. Que bom!
    Que coisa gostosa… a dissidência, AP e a Quarta unidas na mesa do bar do Alemão. O que me preocupa é que o Jurandir, único militante da quarta que sobrou, sumiu durante uma troca de mesas.
    A Bete da Veterinária já estava sumida, agora mais esse ?
    Será por isso que eles tinham tão poucos militantes? eles somem sem mais nem menos?? Evaporou-se mais um nessa noite memorável.
    Enfim… obrigada, obrigada e obrigada, à comissão e a todos nós que comparecemos lá. Afinal somos um GRUPO CÁRMICO à parte e nossos colegas mortos pela repressão, morreram por nós.
    Eles são nossos “MESSIAS” (ficou bonito assim para terminar).

    Mas prefiro dizer que nós somos nossos próprios Messias, só nós mesmos podemos nos livrar das amarras que a sociedade nos impõe

    (no bar estiveram: Malu, Watanabe, Formiga, Mineiro,Soninha, Paulo Paixão, Maria Rosa, Anavécia, Antonio Carlos, Miriam, Mané Quatá, Luciano, Maria Amalia,Beto, eu e mais duas pessoas que não sei onome)

  24. Celia Bergamasco Says:

    A pichação
    Estou a relatar agora, um fato que saiu das minhas “Memórias, Sonhos e Reflexões”. Que seja tão interessante para os que lêem, quanto o foi
    emocionante e assustador para nós que o vivenciamos.
    Naquele tempo da ditadura… estávamos uma madrugada… meu primo Antonio Carlos e eu a fazer nossas pichações costumeiras no Butantã.
    Mas não sei por que cargas d´água, nessa noite, nos embuímos de maior coragem e nos aventuramos a ir até o Bairro de Pinheiros.
    Deveríamos ter ficado no Butantã ! Pois tão logo começamos a chacoalhar
    o spray… foi chegando um carro, daqueles cheio de milicos armados, com as metralhadoras para fora, prontos a atirar.
    Nosso susto foi tão grande, que nos abraçamos. – Acho que queríamos morrer em família –.
    Mas nosso instinto de sobrevivência falou mais alto,
    tão alto que, instintivamente, começamos a simular um “malho”.
    Tremíamos e nos apertávamos tanto – mais por medo que por simulação –
    que quase nos prenderam por atentado ao pudor.
    Passei por vagabunda… que é o que eles disseram que eu era;
    mas naquela hora… mil vezes vagabunda que estudante e
    moradora do CRUSP
    Quase cometemos um incesto (primo/prima) mas nos livramos do “cacete da ditadura”.

  25. Fernando Says:

    Olá,
    estou fazendo um trabalho sobre a história da organização do esporte na USP, como monografia de conclusão do curso de bacharelado de Esporte.
    Encontrei que a Diretoria de Esporte da AURK, do Crusp nesta época, foi muito importante para o desenvolvimento do esporte uspiano. Entre elas Volta da USP e CEPEUSP.
    Gostaria de saber mais sobre a prática esportiva neste período na USP.
    Com quem posso conseguir mais informações?
    Grato,
    Fernando Prota

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