CRUSP/ANOS 60 FRAGMENTOS VERSÃO 1 — por Mário Wajc

CRUSP/ANOS 60

FRAGMENTOS

VERSÃO 1

Alguém já disse que vemos o passado de forma distorcida e incompleta, através das lentes de nossa mente no presente e que por isso não vale a pena voltar ao mesmo.

Mas essa foi uma fase muito importante de nossa vida e creio que a persistência da Cristina em juntar essas lembranças merece uma tentativa.

Talvez se juntarmos os fragmentos de cada um, surgirá um quadro mais claro…

O PANO DE FUNDO

Dois ingredientes principais compõe o cenário dessa época e desse lugar : um contexto político e social extremamente turbulento e um grupo de jovens recém saídos da adolescência , a maioria vindos de pequenas cidades do Interior de SP, pela primeira vez saindo de suas casas, e colocados juntos em uma forma de convivência talvez pioneira.

Alguém de maior fôlego talvez possa fazer a análise sócio psicológica dessa conjunção de fatores.

Vou apenas lembrar de algumas figuras humanas e situações com as quais convivi, e na forma em que surgiram em minha mente, sem arrumação.

O CAMÕES

Era o professor Pardal do CRUSP. Capaz de montar qualquer parafernália eletrônica e consertar qualquer geringonça. Quando o conheci, estava totalmente engessado, pois tinha caído de um dos prédios da USP, ao tentar escalá-lo com uma bicicleta.

A TURMA DA ESTIVA

Composta pelo Chico Malaman, Mineiro e Alvarão. Famosos pela irreverência e por andarem o dia inteiro juntos e de tamancos. Foram talvez os ancestrais dos atuais ecologistas, pois faziam incursões e acampavam nas matas da Biologia.

O LAURI

Um dos sujeitos mais sensíveis que conheci. Politécnico, poeta, compositor e tocador de violão.

Foi posteriormente assassinado pela Ditadura.

Há uma praça em São Carlos (SP) em sua homenagem.

O DESERTINHO

Centro de reunião à noite e de madrugada. Composto por bancos em forma de troncos, ficava entre os Blocos B e D. Nesse local tocava-se modas de viola e muitos namoros começaram aí.

A VIAÇÃO VANI

Havia apenas uma linha de ônibus para a C. U.. que passava de hora em hora , na avenida da História. Um grupo ia buscar as meninas que chegavam à noite, pois o local era deserto.

Era raro os ônibus não quebrarem e normalmente entravam em um posto para abastecer durante o trajeto.

O ITSCHE BARAN

Também politécnico, foi meu amigo de infância desde Santos. Entramos juntos no Crusp.

Extremamente criativo, foi um dos autores do Show do Crusp, e compositor, em parceria com o Lauri, de canção que chegou até o Festival da TV Record.

Era capaz das sacadas mais espirituosas sem mexer um músculo da face.

Tornou-se executivo da IBM, e escritor de livros humorísticos e infantis.

RUFO E NELSON DUM-DUM

Colegas de apartamento e da Poli. Também estudamos juntos em Santos. Passamos várias noites em claro estudando para provas. Às 3 da manhã alguém entrava no quarto e perguntava “ Vocês tem a apostila para a prova de amanhã?”…

O Rufo, de descendência italiana, tinha paixões de “arrastar bondes”. Tornou-se engenheiro naval.

O Nelson adquiriu o apelido de Dum-Dum por tocar bateria e contrabaixo no Show do Crusp; normalmente ensaiava próximo ao meu ouvido, quando eu queria dormir.

A vida fez com que nunca mais os encontrasse.

Saudades.

Mario Wajc 11/03/2005

Apto 601, Bloco E, no período de 1965 a 68.

Email mwajc@uol.com.br

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Uma resposta to “CRUSP/ANOS 60 FRAGMENTOS VERSÃO 1 — por Mário Wajc”

  1. Adoramos, Formiga e Mineiro Says:

    Mario, você continua surpreendente. Beijos, Formiga e Mineiro

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