GRANDE SONINHA… por Roberto M. Watanabe

Grande Soninha

A vida é uma sucessão de fatos e eventos.

Milhares aconteceram. Tem até aquele da viagem de carona de avião ao Rio para ganhar uma japona da Marinha.

Mas nossas mentes já não têm a habilidade de lembrar de muitos detalhes.

Talvez a gente esteja querendo “economizar” agora para poder deseconomizar no dia 29. Haja assunto para preencher 10 horas de papos.

Mas, já que você provocou, vai aqui o relato de um episódio marcante:

Lembro-me que certa vez recebi o apelido de Watanabe: “O” Empírico e isso aconteceu por causa do Ciclo de Cinema da USP.

Foi assim:

Havia na USP, todo ano, o famigerado Ciclo de Cinema da USP que passava sempre os mesmos filmes: Os Sete Samurais, Guerra dos Botões, Morangos Silvestres e outros.

Certa noite ao descer para jantar, vimos que haveria projeção de cinema. A gente sabia disso pois alguém se dava ao trabalho de colocar os bancos na disposição de cinema com a mesa de pingue-pongue ao centro para alojar o projetor de filmes. Os cartazes afixados nunca eram lidos.

Depois da janta, sentamos para aguardar o momento do filme. Algumas poucas pessoas já estavam lá.

Passado um tempo, mais pessoas chegaram. Notei que a mesa estava lá mas a máquina de projeção não.

Fui até a Banca da Cultura saber por que o projetor não estava na mesa. Me informaram que o projetor e as latas dos filmes estavam na História e que alguém com carro deveria ir até lá para buscar.

Saí pelo CRUSP para encontrar alguém com carro (a gente sabia quem tinha carro e era sempre os mesmos que a gente procurava). Encontrei e fomos até a História para pegar. Trouxemos e colocamos o Projetor e as 3 Latas em cima da mesa e sentamos.

Passado algum tempo, o centro de vivência já estava bem cheio e nada de aparecer alguém para fazer a projeção.

Curioso que sempre fui, aproximei-me da máquina de projeção e vi que na tampa havia um desenho explicando como o filme tinha que ser colocado. Não tive dúvidas: enfiei o filme conforme desenho e liguei a máquina. Milagre! o filme começou a ser projetado e alguém apagou a luz.

Tudo corria bem, mas de repente PLACT! o filme arrebentou. Váias, assobios e luz acesa!

Subi na pesa e enfiei o filme novamente e liguei. Milagre novamente: O filme começou a ser projetado e algém apagou a luz.

Lembro que o filme voltou a rebentar outras vezes.

Depois que terminou o filme e todos foram dormir, resovi rebobinar os filmes. Nessa hora notei que os filmes estavam em latas erradas. Havia nas latas a inscrição 1, 2 e 3 indicando a sequencia em que os filmes deveriam ser passados. Eu segui esta orientação das latas mas quem passou antes tinha colocado os rolos em ordem diferente.

O filme era Os Morangos Silvestres de Ingmar Bergman. Um filme de cuca.

No dia seguinte, ouvi muitos comentários do tipo “Filme de Bergman é difícl de entender” mas eles não sabiam que os rolos tinham sido invertidos.

Por este episódio fiquei conhecido como O Empírico.

Abraços,

Roberto Massaru Watanabe

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: