HOMENAGEM AO LAURI por Célia Bergamasco

HOMENAGEM AO LAURI

Eu nunca conversei com o Lauri.
Ele era muito “alto escalão” para a minha ignorância.
Mas um dia,depois de fechado o CRUSP, nos encontramos no Largo de
Pinheiros e ele me convidou para tomar uma cerveja.
Tomamos a “uma” e mais todas.
Foi aí então que afirmamos nossa amizade (como todo bebum).
Andamos de lá até a Morato Coelho, acho eu, perto da Praça Benedito
Calixtro;Cantando pelas ruas em altos brados e bebendo de boteco em
boteco, na maior alegria. Talvez uma das ultimas alegrias dele, pois
logo depois ele saiu de cena.
Fomos parar de madrugada, no apartamento da Kikuko, fazendo a maior
algazarra. A coitada ficou tão apavorada… e não quis nos deixar
entrar. E eu de tão “turbinada” que estava, não lembro o final da
estória…
JURO! JURO MESMO.
Só tenho essa lembrança dele, boa lembrança!!!
No encontro vou beber “uma” por ele.
Por favor Kikuko, apareça prá me ajudar nessa…

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2 Respostas to “HOMENAGEM AO LAURI por Célia Bergamasco”

  1. Marlene Suano Says:

    Cruspianos, como é bom ainda ser chamado disso: cruspiano! Sempre me senti mais cruspiana do que uspiana, mesmo agora, ensinando nela há 2 décadas. Mas, tenho certeza que é graças ao Crusp que mantive a maioria dos ideiais da juventude.

    Li os comentários de todos, tão forrados de verdade, poesia, saudade, beleza enfim. Nada a retocar, a não ser acrescentar tres coisas:

    1) Uma informação sobre o Lauri. Ele era extremamente paciente e bondoso. Nunca se impacientou com minhas “bestagens”, como dizia o Darcy Ribeiro. As diferenças entre os vários segmentos do ME, o difícil equilíbrio entre estudar como doida prá conseguir uma bolsa de estudos e participar do ME em tempo integral, tudo isso ele escutava e discutia com enorme paciência.

    Sim, Célia, como você diz, ele era um peso-pesado em termos de conhecimento e sensibilidade política e o fato de uma chucra, como era eu, nunca ter se sentido esnobada ou afastada por ele dá parte da dimensão do caráter dele. Por isso gostei tanto da frase: Lauri, tão longe e tão cedo.

    Sempre tive vontade de procurar a família dele, do Jeová, do Arantes, e mostrar a eles que seus filhos estão ainda conosco. Vamos tentar?

    2) Todos nós sabíamos e percebemos hoje com mais clareza, que o Crusp foi nossa verdadeira escola de cidadania.

    Porém, tendo seguido uma carreira acadêmica que me levou a ter relações com vários outros institutos e profissionais fora da universidade e da minha especialização, percebi que o Crusp foi mais que isso: ele era a verdadeira universidade.

    Na secretaria da Cultura, tratando de casas bandeiristas desabando, em meio ao problema de quem chamar em socorro, eu tinha a resposta fácil: engenheiro Fusco.

    Datação em arqueologia? Vamos procurar o prof. Simão Mathias!

    Fechar um convênio com a Faculdade de Educação? Melhor o Zé Mário Azanha, não vamos nem chegar perto de x, y e z….

    De onde vinha tudo isso senão do Crusp? Porque falávamos entre nós de nossas vidas universitárias, de nossos professores, de suas especialidades. Por meio da participação de nossos amigos, a universidade inteira era nossa.

    Até hoje sei das dificuldades de se passar pelo “biênio-fundamental” da Poli, algo que o pessoal de Humanas, dos últimos 40 anos, simplesmente ignora.

    Eu também “fiz” a Poli , pelas experiências e agonias dos amigos.

    Várias vezes fui convidada por alunos que moram no Crusp, hoje, a ir visitá-los. Sempre me recusei, pois não poderia voltar lá sozinha. pena que nossa festa do dia 29 não poderia ter terminado com uma “invasão” de retomada de nosso espaço afetivo. Acho que,d e qualquer forma, temos o dever de montar um documento e entregá-lo ás autoridades universitárias e aos alunos, para batalhar pela volta de um espaço onde a verdadeira universidade se processa.

    3) Finalmente, uma lembrança do professor Eurípedes Simões de Paula e a dois PMs do 16º Batalhão, Armando e Modesto, de quem infelizmente nunca soube o sobrenome.

    Levada com todos no dia 17, fui solta dia 18, sem nunca me separar de minha amiga da pedagogia, Zuleide Oliveira Ramos do Vale(ou vice-versa). Dia 18 à tarde fui recebida pelo professor Eurípedes, na casa dele(entre Sumaré e Perdizes). Eu tinha uma bolsa da Fapesp de arqueologia, íamos sempre à casa dele pegar livros. Ele então combinou comigo que eu deveria voltar ao Crusp e ver “o que podia fazer” . Nunca disse o que e eu nunca perguntei. Ele escreveu uma carta aoa comandante Secco, do 16º e mandou um funcionário da Faculdade lá comigo, o mais graduado depois dele, Dr. Eduardo Ayrosa. Entrevista longa, grandes explicações, eu precisava voltar a morar no Crusp porque estava preparando uma exposição no Museu de Arqueologia, etc.,etc. A permissão foi concedida, com a ordem de que eu tinha que sair imediatamente, todos os dias, às 9h da manhã e voltar entre 19 e 22h. Foi o que fiz até fevereiro de 1969.

    Os PMs Modesto e Armando eram guardas que davam plantão no Museu de Arqueologia e parte do horário eles faziam no Crusp. Graças a eles consegui passar algumas barreiras, para ir ao C buscar um aquecedor, uma lanterna no E, preciso de um martelo porque na invasão quebraram minha cama, vou procurar lá no B…. O receio do professor Eurípedes era pelo Kunio, estudante da História, de quem a maioria dos professores gostava muito e alguns lhe demonstravam essa preocupação: o que terá no quarto do Kunio?

    Fiz minhas “visitas” na própria noite do dia 19 e no dia 20, com a desculpa que precisava remontar meu apartamento, o A303, onde eu morava com Zuleide e Soninha. Nunca achei nada de grave, nada que eu pudesse fazer de “heróico”, de que me lembrar para sempre. Peguei muitos estencis de mimeógrafo, sem nem ler o que continham. O silêncio era sempre profundamente perturbador. Professor Eurípedes não ficou contente com meu relato, acho que ele mesmo gostaria de ir lá. A ordem de saída às 9 h foi liberada a partir do dia 2 de janeiro, quando voltei depois das festas. Ninguém tinha ido ao Crusp, a não ser os que tinham tido permissão para recolher seus pertences. Só a PM continuava montando guarda. e Armando e Modesto contaram que fora assim o tempo todo. Sempre pensei, então, que se teve um rastreamento político de nossos pertences, isso aconteceu exatamente no dia 17, imediatamente depois de nossa saída.

    Fui, portanto, do ponto de vista material, a última a deixar o Crusp e eu devia essa demonstração à memória do professor Eurípedes, sem dúvida “empurrado” pelo professor Barradas de Carvalho, mas isso não diminui sua dedicação pelos alunos.

    Um abraço a todos, Peninha(apelido colocado pelo Malaman, prefiro não dizer porque….).

  2. BENJAMIN PRIZENDT E-408 (Diógenes no ShowCrusp) Says:

    Célia

    obrigado por escrever sobre o Lauri, de quem fui seguidor no teatro Crusp: ele como diretor e eu “desempenhando” o papel de guarda que ia prender Galileo- com direito até a corografia, hilária por sinal. Encontrei o Lauri no Copan, por acaso (ele já estava escondido…).
    Aliás, fiz muitas coisas no Crusp, além de trabalhar como bolsista no bar do restaurante e na banca de livros.
    Lembro-me bem de você e de seu apelido de Peninha, da Sonia Bissoli, do Malaman, do Tarzan, do Camões, da Zilda, da Formiga e do Mineiro (foi um tempo muito bom aquele…)
    Abraço
    Benjamin

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